



Assim é: o Bocas de Fígaro vai de férias e só regressa em Setembro. A equipa editorial decidiu suspender actividade para merecido descanso, depois de incansáveis entrevistas e diversas notícias confrangedoras. «O descanso permitir-nos-á recuperar dos recentes traumas da música portuguesa. Vamos de férias para um retiro budista numa cave de um prédio da Amadora, para recuperar forças e energias», disse Salieri.
Esta foi uma das medidas apresentadas hoje pela DGArtes, dirigida às principais salas de concerto de todo o país. O objectivo geral do pacote é reduzir o ruído existente nas apresentações musicais, nomeadamente devido às abundantes constipações existentes nos próximos meses do ano. O objectivo particular da não escuridão total dos concertos é a obtenção mais rápida de rebuçados para a tosse no fundo da mala por parte da audiência feminina. «Deste modo, haverá ataques de bronquite aguda menos demorados, e os intérpretes agradecem!», é pelo menos esta a opinião dos formuladores destas novas regras. No entanto, António Jorge Pacheco, director artístico da Casa da Música, veio dizer, em entrevista exclusiva ao Bocas de Fígaro, que acha que pode vir a acontecer o efeito contrário: «Como as pessoas tem maior facilidade em chegar a rebuçados, vai ser um fartote de barulhinhos dos papelinhos... Isto para não começar a falar de bolachas para crianças, sandes de fiambre nos concertos à tarde, garrafas de água nos concertos mais demorados, garrafas de Licor Beirão nos concertos do Remix Ensemble...».
Foi no passado dia 21 de Julho a primeira actuação de Maria João Pires nos Proms. A actuação da recém-brasileira no Royal Albert Hall foi marcado por um programa exótico e original, dedicado obviamente... a Chopin. Na entrevista rápida pós-concerto, a pianista fez um discurso muito decidido: «A Maria está bem, a Maria agora joga no escrete musical! Muito contente por esta escolha da Canarinha, porque como portuguesa nunca teria possibilidade de jogar piano aqui no estrangeiro... Enfim, espero que o milionário russo que investe aqui no Proms continue acreditando em mim». 
Dada a estranheza da resposta, os nossos enviados aos States puseram-se a investigar. O ano passado, Sequeira Costa tinha comemorado os seus 80 anos com 8 concertos sinfónicos diferentes. Este ano, ao que parece, quer comemorar o facto de ter sobrevivido a esses oito concertos. Para isso, vai repetir 81 vezes seguidas o 2º concerto de Chopin, num esforço heróico que, pelas contas do Bocas, deverá durar cerca de dois dias.
O compositor Eurico Carrapatoso, sempre à procura de novas sonoridades e novos caminhos para a renovação musical, informou hoje a redacção do Bocas de Fígaro, fazendo-nos chegar um pombo-correio, de que tem prevista a estreia breve de "Música para Serrote e Quarteto de Plainas". Esta composição, em dois andamentos (Adagio deslizante e Allegro enérgico e cortante), deverá ser estreada por 5 lenhadores da região de Viseu.
Contactámos o autor para mais pormenores: «O grupo está reunido neste momento, a ultimar a leitura da peça. Houve alguns problemas com a obtenção da madeira para as plainas, parece que no primeiro ensaio houve um incêndio que destruiu todo o stock de pinho que tínhamos. Sabe, o pinho tem uns harmónicos fabulosos! Até os bombeiros que por lá andavam ouviram ainda os rapazes a tocar um pequeno excerto em pinho. Ficaram todos comovidos!.. Agora, não me apareçam é no concerto com castanheiro, estraga tudo...». O Bocas sabe ainda que a primeira audição pública deverá acontecer na próxima feira da Capital do Móvel, Paços de Ferreira.
Gabriela Canavilhas vai aproveitar as suas férias no Ministério da Cultura para começar a estudar os recém-descobertos concertos para piano de Niccolò Paganini. Esta afirmação foi feita ontem, em entrevista exclusiva ao Bocas de Fígaro, onde informou também o interesse da Deutsche Grammophon em realizar a gravação ainda este ano: «Tenho os dedos um bocadito enferrujados, os arpejos precisam de estudo urgente, mas penso conseguir cumprir o compromisso até Dezembro». Ao que o nosso enviado à Alemanha conseguiu apurar, há ainda indecisão na escolha da orquestra, mas a etiqueta alemã já conseguiu restringir as suas hipóteses. Gabriela Canavilhas será acompanhada ou pela Berliner Philarmoniker, ou pela Filarmonia das Beiras.
Começa hoje mais uma época de futebol em Portugal, no jogo da Supertaça que opõe Benfica e Porto. É também hoje que, aproveitando um jogo que se prevê de emoções fortes entre adeptos, a Antena 2 vai fazer o seu teste final a este seu projecto pioneiro. No entanto, não se trata de um relato comum, como explicou ao Bocas de Fígaro a voz do programa matinal Boulevard, André Pinto. «Na Antena 1 já se faz a transmissão dos jogos de futebol, e portanto nós não poderíamos repetir. Em vez disso, decidimos focar a nossa transmissão na intensa música das claques, nos fabulosos sons dos adeptos, na magia presente nas senhoras que apregoam a sua Bolacha Americana ao intervalo».
A Escola de Música do Conservatório Nacional, aproveitando o período de férias escolares, vai finalmente iniciar as obras de recuperação do seu incrivelmente degradado Salão Nobre. O plano de acção definido pelos responsáveis do projecto está, no entanto, a causar o espanto no meio escolar. Ao que o Bocas de Fígaro conseguiu apurar, o facto de se ter esperado demasiado tempo para o restauro danificou irreparavelmente os frescos de Malhoa, pelo que a equipa de manutenção recorreu a uma técnica arrojada. Utilizando tecnologia de ponta e conhecimento altamente científico adquirido na série "Morangos com Açúcar", todo o tecto do Salão foi ornado com os mais belos e requintados grafitti verdes e amarelos, não deixando assim notar as rachas nas paredes e a podridão dos seus materiais constituintes. Em entrevista rápida, o arquitecto não conseguia esconder a sua tremenda satisfação com o sucesso. «É incrível! Finalmente o Salão arranjado! E os grafitti dão-lhe um ar mais jovem... Por exemplo, já trouxemos aqui alguns alunos e o resultado foi automático, todos disseram que agora ia ser "mais baril" tocar nas audições!», informa.
Emanuel é uma das primeiras personalidades do país a aplaudir o mais recente projecto da ministra Isabel Alçada: o de «acabar com as reprovações no ensino». Em notícia avançada pela Associação Nacional de Músicos Pimba, Emanuel terá já pedido reingresso no Conservatório Nacional. Segundo o jornal on-line da associação, Emanuel terá declarado que «agora, sim, poderei concluir o meu curso de guitarra com distinção sem que me obriguem a tocar acordes complicados». O Bocas de Fígaro contactou o ilustre artista para saber mais informações, num telefonema em que Emanuel desmentiu a notícia divulgada e aproveitou para esclarecer a situação: «Eu não quero voltar ao Conservatório Nacional para acabar o curso de guitarra; como é evidente, já toda a gente sabe que dedilho o meu instrumento como um verdadeiro mestre romântico. A minha intenção era ingressar para estudar Canto, não que cante mal, mas quero elevar as minhas potencialidades ao nível de um Chopin». O Bocas de Fígaro contactou a Direcção do Conservatório para saber a sua posição em relação à ideia de Isabel Alçada e à ambição de Emanuel. A Direcção disse não estar em condições de comentar o assunto, mas garantiu haver uma vaga livre para arrumador de chaves no terceiro piso, em substituição do jurássico Senhor Mira. Ficámos sem perceber se se tratava de um convite à Ministra ou ao Embaixador da Música Portuguesa em Covas do Douro.

benkian, as fontes do Bocas de Fígaro conseguiram perceber que a escolha teve por base regras bastante rígidas. «Tivemos a ouvir alguns CD's do Tony, principalmente o último "O Homem que Sou", e não pudemos deixar de notar na qualidade tímbrica dos trompetes de alguns dos seus êxitos. Além disso, todos sabemos das qualidades daquele homem na guitarra...! Quanto ao Quim, ele sabe que infelizmente é uma segunda escolha. Inicialmente, tínhamos pensado em Richard Galliano, mas era difícil convencer o público de que ele era português... Enfim, para o Quim não ficar chateado, demos-lhe a honra de fechar este Jazz em Agosto
dedicados ao restauro conjunto dos seis instrumentos) não foram suficientes para resolver alguns problemas técnicos fulcrais à sua utilização. Assim sendo, segundo o mestre, «pois se até aqui foram dois séculos para resolver as infiltrações de água nas capelas, prevejo que só lá para 2312 os órgãos possam voltar a tocar outra vez juntos». E justifica, dizendo que «com o aquecimento global e a crise, ainda por cima, o nível das águas sobe e não dinheiro para combater isso!».